Moto G100: vamos de “super intermediário”?
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Moto G100: vamos de “super intermediário”?

RESUMO

Moto G: linha principal da Motorola cresce e agora vai do básico ao quase premium. Modelos G10 (básico), G30 (intermediário) e G100 (super intermediário) chegam hoje ao varejo.

Moto G100: o que importa

  • Moto G10 e G30 são os modelos que vão vender de verdade – aparelhos de entrada com preço sugerido abaixo de R$ 2.000. Não vou falar sobre eles aqui, leia nossa análise na newsletter amanhã (26/3).
  • A estratégia de camadas separadas (10/30/100) mostra que a décima geração do smartphone que nasceu para ser um intermediário com preço acessível se tornou em uma família de produtos ainda mais fragmentada.
  • Moto G100 (preço sugerido: R$ 3.999, já à venda. R$ 4.099 em pacote com cabo HDMI para usar o Ready For) é uma tentativa de elevar a linha Moto G para os smartphones da marca topo de linha, com configurações avançadas de hardware, mas não tão avançadas como um Samsung Galaxy S21 ou um Moto Edge+ (do ano passado). Tanto que, na China, o G100 foi lançado com o nome Edge S.
  • O Moto G100 é a Motorola seguindo a tendência de mercado de lançar smartphones com hardware mais parrudo e acabamento de plástico (o Galaxy S20 FE está aí para provar esse ponto, e já tem um preço sugerido no varejo bem menor que o G100 agora no lançamento).
  • Design lindo (e com cores mutantes, em um acabamento estilo Huawei P30 Pro de 2019 aprimorado), compatibilidade com 5G, tela grande com taxa de atualização de 90 Hz, processador inédito no Brasil (Qualcomm Snapdragon 870), cabo HDMI opcional para ligar na TV e transformar em “desktop”, entrada para fone de ouvido convencional, um monte de câmeras e… perfume.
  • Sim, o G100 é o primeiro smartphone com cheiro do mundo, para o bem (é um cheiro genérico de desodorante Axe/OldSpice/Dove) e para o mal (é persistente na caixa e nos acessórios que perfumam o ambiente, logo sua rinite será atacada. O Brasil faz parte de um projeto piloto de “assinatura olfativa” para smartphones.
  • A Motorola fez uma parceria com a Firmenich – daquelas multinacionais de 125 anos que ninguém nunca ouviu falar, mas todo mundo usa algo: a empresa química, fornece, entre outras coisas, bases para perfumes famosos e ingredientes para indústria alimentícia – como o sabor artificial de morango. E agora cheiros para smartphone.
  • Estou usando um G100 desde o final da semana passada sem capa ou carregador originais por conta do perfume. A capa de plástico já perdeu o aroma depois de ficar isolada em um canto do escritório, mas o cabo USB-C e o carregador de 20W seguem com perfume forte. Definitivamente não é um motivo para compra e mais uma manobra de marketing para fazer barulho.

Moto G100: Design e Especificações

O design do Moto G100 poderia ser o padrão Motorola dos últimos tempos: traseira de plástico, algum efeito brilhante metálico, mas formato básico de smartphone com leitor de digitais na lateral direita (que atua como botão de liga/desliga).

Mas a cor Luminous Ocean vai um pouco além disso, dando um efeito que cria um nó na cabeça ao olhar o telefone – que, dependendo da iluminação, pode ser azul, roxo ou os dois ao mesmo tempo. A Motorola também vai vender o aparelho na versão Luminous Sky (que, pelo que vi, é um branco perolado).

Entretanto, tudo é muito bonito até aparecer o primeiro risco. O G100 não saiu de casa e, usando em cima da mesa ou ocasionalmente no bolso para ir da sala para o escritório para o quarto e já tem pequenos riscos na traseira. O plástico fosco multicolorido do G100 também pega marcas em geral (não apenas marcas de dedos: ele fica mais fosco ainda). Aconselhável, então, usar com a capa que vem na caixa (após sair o perfume, claro).

A ordem das coisas externas segue o padrão da Motorola, com controle de volume também do lado direito, gaveta de SIM card/microSD e botão do Google Assistente do lado esquerdo. Embaixo, alto-falante (mono), conector USB-C e a entrada para fone de ouvido padrão P2/3,5 mm, algo raro hoje em dia em smartphones mais caros. O G100 vem com fones do tipo in-ear na caixa.

As especificações técnicas são as mais avançadas para um Moto G até hoje, com um processador Qualcomm Snapdragon 870 (um octa-core de 3,2 GHz que é um 865+ com outro nome) com GPU Adreno 650, 12 GB de RAM e 256 GB de armazenamento interno (expansível com cartões microSD de até 1 TB na gaveta para dois chips de operadora).

Tem compatibilidade com serviços 5G (indisponíveis no Brasil até o leilão da Anatel em algum momento deste ano), Bluetooth 5.1, NFC e Wi-Fi 6 (caso você tenha um roteador compatível, claro). E roda Android 11, com promessa de upgrade de uma versão de sistema operacional e dois anos de atualizações de segurança. Em um mundo que sua principal concorrente (Samsung) promete três anos de updates, a Motorola precisa voltar a melhorar sua estratégia (e já foi boa nisso, mas se perdeu).

A tela, de 6,7 polegadas, tem bordas que fogem do padrão premium atual. A resolução é Full HD+ (1080×2520, 409 pontos por polegada), com HDR10 e taxa de atualização de 90Hz (que pode ser deixada em modo automático na configuração do aparelho).

A bateria é de 5.000 mAH, com carregador rápido de 20W na caixa. Aqui a Motorola segue com o padrão de cabo USB 2.0 para a tomada e USB-C para o telefone – aparelhos mais caros têm USB-C para USB-C, que permite carregamento mais veloz da bateria. O smartphone pesa 207 gramas e mede 168,4 x 74 x 9,7 mm (altura x largura x espessura) – é um pouco maior que seu irmão mais velho Moto Edge+.

Câmeras

O Moto G100 vem com três câmeras na traseira e dois sensores: a lente principal de 64 megapixels (F/1.7), uma híbrida ultra-grande angular de 16 megpaixels (f/2.2), um sensor de profundidade para retratos (f/2.4, 2 megapixels) e um sensor Time Of Flight, que também serve para retratos e ajustar o foco. Meio redundante ter os dois, não entendi a escolha. O zoom digital vai até 8x.

Gostei bastante da câmera traseira do G100. O foco é muito rápido e preciso – acho que é a primeira vez que elogio isso em um smartphone recente da Motorola, as imagens saem bastante nítidas e, bem, o quintal de casa tem sido o máximo que saio ultimamente. O modo retrato funciona bem e o modo Night Vision, para fotos noturnas, é bom (algumas das fotos dos gatos abaixo foram feitas no quarto com uma lâmpada LED fraca à noite, e saíram nítidas e parecendo dia – o que é excelente).

A lente wide/macro é boa também, e os 12 GB de RAM fazem que o processamento de imagem seja muito veloz – imagem computacional com ajuda de algoritmos é o padrão de smartphones em 2021, e a Motorola não desaponta nesse recurso. Tem gravação de vídeo em resolução 6K a 30 quadros por segundo, áudio zoom e captura com as duas câmeras (frontal e traseira) simultânea. Clique para ampliar as amostras:

Senti falta, porém, de um zoom óptico mesmo que básico (2x, 3x) – se quer ser super intermediário, é algo que os concorrentes já oferecem (Galaxy A72, por exemplo).

A câmera frontal é dupla, algo que não vejo desde o Galaxy S10+: 16 megapixels (f/2.2) na principal, 8 megapixels (f/2.4) na ultrawide.

Bateria, desempenho, software

A bateria de 5.000 mAH não decepcionou, foi um pouco além do esperado. Em paralelo, estava usando o Galaxy S21 Ultra (também com a mesma capacidade de bateria, mas com tela com resolução maior e 120Hz de atualização) e, ao final do dia – tirando da tomada as 8h30 -, o G100 chega a 12h com 50-55% de bateria, contra uma média de 40-45% de bateria do super premium da Samsung.

Usei o PC Mark Work 2.0 Battery Benchmark para verificar quanto pode durar a bateria do Moto G100: o resultado estimado é de 17 horas e 29 minutos de bateria. O carregamento TurboPower é rápido (enquanto escrevo, coloquei o G100 no carregador com 38% de carga, 40 minutos depois já está com 80%).

Duas escolhas de hardware que mostram que nem tudo é “super” no G100: não tem carregamento sem fios e, detalhe dos detalhes, o carregador TurboPower é USB 2.0 para USB-C – o padrão nos premium hoje em dia é USB-C para USB-C.

Desempenho: o Snapdragon 870 e 12 GB de RAM são uma dupla imbatível. O G100 é notadamente rápido, sem travar/congelar, sem demorar para processar imagens computacionais, uma boa experiência de vídeo e, como comentei, um gerenciamento de bateria excelente.

Sobre sistema, a interface da Motorola segue limpa e com pouco app extra ao ligar o aparelho pela primeira vez. E ponto pra Motorola ao vir com Facebook pré-instalado, mas capaz de ser desinstalado – nos Samsung, a rede de Mark Zuckerberg pode apenas ser desativada, mas não removida de vez.

A Motorola permite customizar o tema em uso (não me lembro de ter visto isso em outros aparelhos da marca), e é um toque divertido:

Vale notar que o app de Telefone da Motorola vem com um filtro anti-spam poderoso: a ligação aparece na tela, com um alerta vermelho de spam, e o próprio G100 desliga a chamada de forma automática. Me salvou de duas chamadas, atendi na terceira – e era um banco popular procurando dona Maria Eugênia, potencial caloteira. Mas pelo que entendi precisa ficar esperto porque ele pode ser bom demais para filtrar chamadas e deixar passar falsos positivos.

Ready For: agora no Moto G100

Semana passada, lá fora, a Motorola anunciou o recurso Ready For para o Motorola Edge+: é a tentativa da marca de transformar o smartphone em um desktop completo, substituindo o PC ao conectar a uma tela/TV, teclado e mouse. A Samsung já faz isso faz um tempo com o recurso DeX integrado aos smartphones mais caros – e já é algo sem fios, dispensando o HDMI.

O Ready For já está presente no Moto G100, e a unidade que recebi para testes veio com o cabo HDMI para USB-C que será vendido em um pacote com o smartphone (por R$ 4.099). Não, o cabo não tem o perfume do smartphone.

Conectei o G100 com o cabo fornecido ao meu televisor OLED. No smartphone, o Ready for é ativado com instruções na tela…

…Que se mostram na TV. É um grande desktop – como no Samsung Dex – com seus apps. O smartphone pode ficar liberado para uso convencional (alternando com o ícone no topo da tela) ou no modo Ready For, para opção da experiência.

Em resumo, o Desktop Móvel leva ao quase-PC, os demais levam para uma tela de Central de Mídias com apps de streaming, mensagens, jogos e videochamadas. Ei, dá pra ver TikTok na TV.

A inicialização do Ready For é bem rápida. A tela do smartphone pode ser usada como trackpad (meio lento), o ideal é ter um teclado e mouse juntos.

Eu particularmente acho que a Motorola está superestimando o recurso Ready For. É legal? sim. Quebra galho? sim. É fator decisivo de compra? Para poucas pessoas (só ler respostas a esse meu tweet sobre Dex). O DeX nos aparelhos Samsung eu usei muito pouco (e esqueço que existe) e o melhor recurso para poucos (a capacidade de rodar Linux no DeX) já foi extinta.

Além do cabo, a Motorola anunciou (sem preço local ainda) um dock para smartphone. Pela demonstração em vídeo feita pela marca, ao colocar o G100 (ou outros aparelhos compatíveis com Ready For) na base, é possível usar a ferramenta em videochamadas para acompanhar seus movimentos. Interessante, mas não muda a vida de ninguém.

Base para Ready For (Motorola/Divulgação)

Eu compraria um Moto G100?

O Moto G100 chega em um momento interessante do mercado de smartphones. Ele sai no Brasil antes do seu principal concorrente – o Samsung Galaxy A72, previsto para abril. Ainda tem um preço alto de entrada, apesar de nem todos os recursos premium serem úteis agora (5G, por exemplo, e isso vale para qualquer fabricante falando em 5G para cobrar mais do consumidor).

Avaliando o conjunto geral, compraria sim um Moto G100.

Mas se tivesse R$ 3.999 sobrando em busca de um smartphone mais completo e com acabamento de plástico, o Samsung Galaxy S20 FE ainda é uma oferta bem mais tentadora (dá para achar em média por R$ 2.600 no varejo online), com zoom óptico de 3x na câmera.

Sobra um troco para comprar fones de ouvido sem fio, como o Galaxy Buds Plus – algo que a Motorola não tem como produto de “ecossistema” como seus concorrentes (Xiaomi, Realme e até mesmo Huawei estão aí crescendo em produtos como relógios, fones TWS e outras coisas conectadas) oferecem.

[Motorola]

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Escrito por
Henrique Martin
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