Review: Samsung Galaxy Z Flip
Samsung Galaxy Z Flip

Review: Samsung Galaxy Z Flip

RESUMO

Passei dez dias com o smartphone dobrável Galaxy Z Flip e foi a experiência mais divertida com um telefone nos últimos anos.

Passei dez dias com o smartphone dobrável Galaxy Z Flip e foi a experiência mais divertida com um telefone nos últimos anos.

Galaxy Z Flip: o que importa

Galaxy Z Flip dobrado ao meio e apoiado em uma superfície
  • é um smartphone de tamanho convencional que dobra no meio
  • dobrado ele fica “quadrado”, mas não atrapalha ou cria um volume horrível no bolso
  • dá para abrir com uma mão só (requer um pouco de treino)
  • usar o aparelho “sentado” na mesa ajuda na hora de fazer videoconferências
  • o vinco no meio da tela passa despercebido conforme o uso (mas ao rolar a tela você sente que tem uma leve depressão ali)
  • tem uma coisa que consumidores acostumados com aparelhos Samsung vão achar esquisito: o botão de volume no lado direito do aparelho (e não no esquerdo, como é comum)
  • o Z Flip é uma amostra do futuro do smartphone: ainda tem um preço sugerido inacessível (R$ 7.999 no site da fabricante – eram R$ 8.999 no lançamento em março pré-pandemia), mas é a primeira grande mudança no formato “barra de sabonete com tela” que nos assola desde o iPhone original de 2007.
  • E é um produto totalmente diferente do outro dobrável da Samsung, o Galaxy Fold (e agora sua continuação, o Galaxy Z Fold 2). O Fold é um smartphone que vira tablet ao ser aberto, o Z Flip é um… smartphone apenas, como o Motorola razr (um dobrável que não decolou, pelo visto).
  • desempenho é bom, rápido e comparável a um Galaxy S10+. E a câmera é boa. Duração da bateria é ponto fraco, mas em tempos de pandemia, dura o dia todo (cheguei ao final do dia, em média, com 25% de carga após tirar da tomada pela manhã).
  • Não vou entrar em detalhes de software aqui, já que é o padrão da Samsung com One UI e não vi nada diferente do que tenho no Galaxy S10+ ou vi em outros aparelhos recentes da marca, como o Galaxy A51.
  • compraria um? talvez. é incrível, divertido e legal para mostrar nas videochamadas para os parentes, mas ainda é um momento “olha só, eu consigo fazer isso” da Samsung (e caro demais, e não sou de reclamar de preço).

Design, especificações

O Samsung Galaxy Z Flip, fechado, parece um estojo. O desenho usado pela Samsung lembra e aprimora os antigos telefones em formato de concha que, abertos, mostravam a tela minúscula e o teclado numérico, famosos em uma era pré-smartphone (antes de 2007/08). Aqui, a concha se abre e mostra a tela completa de 6,7 polegadas produzida em AMOLED dinâmico (1080 x 2636 pontos) e proporção 21:9, que deixa a tela comprida e estreita.

Por dentro, o Galaxy Z Flip tem um chipset Qualcomm Snapdragon 855, 8 GB de RAM, 256 GB de armazenamento interno não expansível, bateria de 3.300 mAH com carregador rápido de 15W (E compatível com carregamento sem fios) e roda Android 10 com a interface One UI 2.1.

As bordas ao redor da tela são grossas, em comparação a smartphones convencionais quase sem bordas. É a única coisa do produto que soa estranha/versão beta: as bordas fazem sentido para proteger o display plástico dobrável e dão uma sensação de segurança, mas parecem datadas em 2020. Imagino que uma próxima versão do Z Flip evolua magistralmente como o Fold do primeiro para o segundo modelo. No meio da tela, está uma câmera frontal do tipo “O”.

Fechado, o Galaxy Z Flip tem na sua parte frontal a câmera dupla principal de 12 megapixels, o flash LED e um pequeno display sensível ao toque de 1,1 polegada (112×300) feito de Super AMOLED.

Do lado direito do “sanduíche” está a solitária gaveta para o SIM card, sem espaço para expansão via cartões microSD nem um segundo SIM card – se quiser uma segunda linha, é preciso instalar um eSIM.

Embaixo do aparelho fechado, o alto-falante mono e o conector USB-C. Não há entrada para fone de ouvido padrão 3,5mm no Galaxy Z Flip, por uma questão de espaço.

No lado direito do aparelho, estão o botão de controle de volume e um botão liga-desliga com o leitor de impressões digitais integrado. Essa solução lateral de leitor de digitais, cada vez menos utilizada, é uma das melhores e mais práticas nos smartphones, e faz muito sentido no Galaxy Z Flip: segurar com a mão direita, abrir com a esquerda (ou com os dedos anelar e mindinho da mão direita) e desbloquear a tela / ligar o aparelho com o dedão.

Com o Z Flip fechado, a parte de trás tem essa engenhoca que protege as dobradiças e a tela dobrável.

E que vai desaparecendo conforme o telefone é aberto:

E então os dois quadradinhos viram um grande retângulo:

E que forma um smartphone relativamente fino (7,2 mm, contra 17,3 mm fechado)

A tela dobrável

A tela dobrável é, como disse lá em cima, a parte mais divertida do Galaxy Z Flip. Como o aparelho fica aberto em vários ângulos, existem inúmeros modos de uso do aparelho, seja com a tela aberta na horizontal, para ver vídeo em tela cheia…

…note que o plástico da tela gera bastante reflexo, dependendo do ângulo.

E destaque para o sistema de dobradiças e sua proteção externa, que, pelo menos enquanto estive com o aparelho, não deixou nada entrar ali atrás ou nas bordas da tela e mantém firme o smartphone quando está aberto por completo.

Mas uma tela dobrável tem algo inevitável: um vinco, perceptível com fundos claros ou escuros. Com o tempo você se acostuma e só estranha ocasionalmente a sensação tátil ao rolar a tela. É curioso observar – e sentir – o vinco. No Galaxy Fold, o vinco fica no meio da tela também, mas na vertical (é um tablet, afinal) e é menos perceptível com o toque.

A tela externa

Detalhe simples e muito bem desenhado, a tela externa é bastante útil: serve como visor para a câmera traseira, caso você queira tirar uma selfie:

E tem um sistema de notificações inteligente: ao pressionar o botão liga/desliga ou tocar na telinha, o relógio acende. Se tiver algum app com notificação, uma bolinha vermelha aparece ao lado esquerdo. Deslize para a esquerda e veja o app (mas não leia o conteúdo) que está pedindo atenção. Deslize para a direita e controle músicas. E serve também para controlar o alarme de manhã (botar em soneca ou desligar).

Até tem uma capinha

O Galaxy Z Flip vem com uma capinha transparente com bordas escuras na caixa, formada por duas partes que se encaixam e grudam na traseira do smartphone (tem uma fita adesiva na parte escura). Legal, mas junta sujeira dentro. A caixa do Z Flip vem ainda com fones de ouvido AKG com encaixe USB-C e um carregador rápido USB-C de 15W.

E questão filosófico-tecnológica: como desinfetar um smartphone com tela plástica dobrável (e muito mais sensível) em tempos de pandemia? Usei um pano umedecido com álcool isopropílico bem de leve. Limpou, tá ótimo.

Vale notar que os testes de maior duração do Z Flip no exterior elogiam a qualidade da tela após inúmeras aberturas diárias durante meses (Guardian, CNET). O produto foi lançado aqui em março, mas só agora a Samsung mandou amostras de teste – por conta da pandemia. Não importa: o produto é muito interessante.

Outra questão filosófica é como o aparelho cabe no bolso da calça. Eu uso smartphone no bolso esquerdo, longe de chaves e outras coisas soltas que possam arranhar a tela. Com um telefone dobrável, ele vai lá para o fundo do bolso.

Fica um pequeno volume, mas o fato de você ter que botar a mão dentro do bolso (e não apenas puxar o topo como em um telefone normal) dá uma sensação maior de segurança que (no dia que voltarmos a ir para a rua como civilização sem medo do Coronavírus) ao usar em público.

Câmeras

A câmera dupla do Galaxy Z Flip foi uma excelente surpresa. Munida apenas de uma lente ultra-grande angular (123 graus) e uma principal (lente de 27mm, f/1.8) e sem os extras dos smartphones topo de linha (como sensor de profundidade, lente macro ou zoom), funcionou muito bem. A grande angular é bem aberta e permite inserir bastante informação na cena. E a câmera principal tem foco rápido, resultados bastante nítidos – mesmo à noite (as primeiras cinco fotos são em ambiente escuro) – e uma excelente gama de cores durante o dia.

Amostras de fotos

A câmera frontal tem 10 megapixels de resolução. Não sou muito de selfies, mas usar o próprio Z Flip como tripé para tirar uma selfie é sensacional.

Samsung Galaxy Z Flip: resumo

O que é isso? smartphone Android com tela dobrável e que cabe no bolso da calça
O que é legal? ele dobra! e cabe no bolso! vem em preto e em roxo
O que é imoral? bateria deixa a desejar
O que mais? câmera boa, apesar de simples para um topo de linha em 2020
Avaliação: 8,5 (de 10). Entenda nosso sistema de avaliação.
Preço sugerido: R$ 7.999 (preço pode ser menor no varejo)
Onde encontrar: Samsung

Escrito por
Henrique Martin
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