Eletricidade sem fios: no laboratório desde 2009

Eletricidade sem fios: no laboratório desde 2009

RESUMO

Em 2009, a Intel já mostrava pesquisas de transmissão de eletricidade sem fios. Em 2021, Xiaomi e Motorola dizem que é possível.

Eletricidade sem fios existe faz tempo, mas estava esquecida nos laboratórios de pesquisa.- e eu posso provar.

Ontem (29) a Xiaomi anunciou que tem um produto para recarregar smartphones pelo ar, o Mi Air Charge, usando uma tecnologia de transmissão de energia (5W) sem contato, permitindo uma recarga contínua da bateria enquanto estiver em um ambiente com a caixa de transmissão. Falei dele na newsletter da semana.

A Motorola, na China, também fez uma demonstração de recarga a 1 metro de distância.

Mmm, OK. Mas não tem nada de novo nisso – e eu já vi demonstração dessa tecnologia no distante ano de 2009, em um laboratório da Intel.

No final dos anos 2000, era comum os fabricantes fazerem uma espécie de feira de ciências para abrir as portas dos laboratórios em suas sedes e mostrar coisas que estavam na prancheta e poderiam estar algum dia no mercado.

Lembro de ter ido até a Finlândia visitar a Nokia (quando caí de amores pelo inesquecível N900), até Palo Alto ver a Xerox (numa era pré-blog, quando estava em revista ainda) e até Santa Clara participar de um evento da Intel chamado Research@Intel.

E foi nesse evento da Intel que eu vi eletricidade sem fios pela primeira (e única, pelo que me lembro até então) vez. Pena que só achei essa foto aí em cima nos meus arquivos.

Tenho saudades da época que fabricantes de tecnologia mostravam os bastidores da indústria – a questão do segredo industrial mudou muito esse cenário – tanto que quando visitei recentemente a Huawei na China e a Samsung na Coreia… não pude tirar fotos em todo lugar). Mas isso é outra história.

Eletricidade sem fios?

O que escrevi na época (lembrando que este site tem meus arquivos pessoais desde 2006, registrando parte da história dos eletrônicos de consumo no Brasil).

Preciso falar da coisa mais futurística-legal que eu vi: eletricidade sem fios (!). Basicamente, são duas bobinas, uma energizada (a maior, de trás) e uma menor, com um alto-falante no meio e ligada a um iPod nano.

Conforme você se aproxima (ou mexe na bobina menor), percebe que o som sai dali, sem estar ligado à fonte principal. A ideia, no futuro, é integrar esse tipo de tecnologia a paredes (para ter um home theater realmente sem fios, por exemplo), notebooks e outros dispositivos. Tudo será energizado à distância.

Por enquanto, o “wireless power” é apenas um protótipo e só funciona com o alto-falante na mesma linha reta do transmissor. Mova um pouco para a direita ou esquerda e ele pára de funcionar.

Não há previsão de chegada ao mercado desse tipo de tecnologia – os pesquisadores estimam pelo menos mais cinco ou sete anos na bancada do laboratório até que a tecnologia seja aprimorada. Mas que é promissor – e legal pra burro – é, com certeza.

Tem até um vídeo curtinho que fiz na época:

Curioso que se passaram 12 anos para ir disso aí em cima para o que a Xiaomi demonstrou (sem data de chegar ao mercado ainda, vale lembrar) para carregar um smartphone a 5W (“o que em padrões de recarga rápida com fios de 2021, é praticamente uma carroça“, comentou meu carregador de 25W aqui na mesa do escritório).

Dá para chegar a uma conclusão dessa história toda: se em 12 anos fomos da promessa de recarregar notebooks (algo bem mais parrudo) para um smartphone a 5W, ainda vai levar um tempo para os pesquisadores – sejam eles da Intel, Xiaomi, Motorola ou qualquer outra empresa de tecnologia – conseguir superar as leis da física para deixar isso mais rápido e seguro.

Escrito por
Henrique Martin